Não se afobe não
que nada é pra já
O amor não tem pressa
ele pode esperar em silêncio
num fundo de armário
na posta-restante
milênios, milênios
no ar
E quem sabe, então
o Rio será
alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
explorar sua casa
seu quarto, suas coisas
sua alma, desvãos
Sábios em vão
tentarão decifrar
o eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe não
que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
se amarão sem saber
com o amor que eu um dia
deixei pra você
(Chico Buarque)
terça-feira, 1 de setembro de 2009
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